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Na semana passada, estava sentada no lobby do “The Hoxton” em Amesterdão, à espera do check-in, e meti conversa com a mulher ao meu lado. Vinte minutos depois, não tinha só o cartão de visita dela, como também um convite concreto para uma conferência de tecnologia em Barcelona em março do próximo ano. O networking em viagens de negócios serve exatamente para isto: encontros inesperados que impulsionam a tua carreira. Em vez de me limitar a despachar reuniões e a desaparecer para o quarto do hotel, aproveito cada viagem de negócios para fazer contactos profissionais e construir a minha rede de carreira.

Segundo um estudo da Associação Alemã de Viagens (DRV) de 2023, realizam-se na Alemanha cerca de 187 milhões de viagens de negócios por ano. Isso significa milhões de oportunidades de conhecer as pessoas certas no momento certo. No entanto, muitos desperdiçam este potencial porque se retiram logo a seguir ao programa oficial. Mostro-te como agir de forma estratégica, criar relações genuínas e continuar a ser autêntico.

Porque é que o networking em viagens de negócios é tão valioso

Fazer contactos profissionais em viagem funciona de forma diferente do que no escritório. Encontras pessoas fora do seu ambiente habitual, num clima descontraído, muitas vezes com mais tempo e abertura. Numa conferência em Munique, em setembro de 2024, conheci uma diretora de marketing de Lisboa que mais tarde me ajudou a entrar no setor espanhol. Estas ligações raramente nascem num chat do LinkedIn, mas sim num café partilhado depois do painel ou num jantar no “Tantris”, junto à Odeonsplatz.

Segundo um inquérito da Statista Alemanha, 62 por cento dos quadros dirigentes afirmam que os encontros presenciais em viagens de negócios contribuem de forma decisiva para criar confiança. Isto confirma a minha experiência: os contactos cara a cara criam um compromisso que a comunicação digital nunca atinge. Quando olhas alguém nos olhos, tens uma conversa a sério e talvez até partilhes uma experiência em comum, isso fica na memória.

Preparação: pesquisa e objetivos claros

Antes de partir para uma conferência ou viagem de negócios, invisto pelo menos duas horas na preparação. Consulto a lista de participantes, procuro especificamente pessoas do meu setor ou com interesses semelhantes e anoto três a cinco nomes concretos. Na “Web Summit” em Lisboa, em 2023, tinha-me proposto falar com um investidor de Berlim e com duas fundadoras da área do comércio eletrónico. As três conversas aconteceram porque fui ter com elas de propósito.

Define objetivos realistas: quantos contactos novos queres fazer? Que tipo de pessoas procuras – potenciais mentores, parceiros de negócios, colegas do setor? Quanto mais claro for o teu foco, mais eficiente será o uso do teu tempo. Recomendo também preparar um elevator pitch: 30 segundos que expliquem quem és e o que fazes, sem parecer insistente.

Ferramentas e aplicações para um networking eficaz

Usa aplicações de eventos como a Brella ou a Whova, que são padrão em muitas conferências. Aí podes marcar reuniões com antecedência, explorar perfis e contactar pessoas de forma direcionada. Na “DMEXCO” em Colónia, marquei quatro encontros através da Brella antes mesmo de viajar. Isso poupa imenso tempo no local e dá-te estrutura.

Como fazer contactos em viagens de negócios – estratégias concretas

O primeiro passo é simples presença: sê visível. Em vez de me sentar na última fila, gosto de me colocar nas três primeiras filas de um painel ou mesmo na zona de networking. Na “Bits & Pretzels” em Munique, em 2024, sentei-me de propósito no bar do hotel “Mandarin Oriental” em vez de ficar no quarto – e meti conversa com um capitalista de risco de Londres, que me deu dicas valiosas para o meu próximo projeto.

Faz perguntas abertas, mostra interesse genuíno. Em vez de “O que fazes?”, prefiro: “O que te trouxe a esta conferência?” ou “Em que projeto estás a trabalhar neste momento que te entusiasma?”. As pessoas adoram falar da sua paixão, e isso abre portas. Uma conversa ao buffet do almoço no “Rilano No. 6”, em Frankfurt, levou-me a encontrar uma mentora mensal, que me orienta na minha área.

  • Vai a eventos de networking fora dos pontos principais do programa: sessões de pequeno-almoço, copos depois do trabalho, jantares informais
  • Aproveita ativamente as pausas: em vez de olhar para o telemóvel, fala com a pessoa ao teu lado na fila do café
  • Oferece valor: partilha artigos, contactos ou dicas que possam ser relevantes para a outra pessoa
  • Faz o seguimento depressa: envia uma mensagem personalizada, por LinkedIn ou e-mail, nas 48 horas seguintes ao encontro

Estratégias de networking em viagens de negócios: timing e contexto

O momento certo é decisivo. De manhã, ao pequeno-almoço, muita gente ainda está aberta e relaxada; à noite, depois do programa oficial, reina um ambiente descontraído. Evito fazer networking logo a seguir a palestras longas, quando todos estão cansados. Em vez disso, uso o tempo antes do primeiro painel ou o almoço em conjunto. No “The Breakfast Club”, em Londres, encontrei uma vez por acaso uma diretora de recursos humanos que mais tarde me arranjou um emprego – simplesmente porque ambas nos levantámos cedo e tínhamos vontade de um bom pequeno-almoço inglês.

Escolhe contextos que combinem com o teu estilo. Se fores mais introvertido, jantares mais pequenos ou encontros a dois são melhores do que grandes eventos de networking. Eu gosto de misturar: durante o dia, conversas individuais direcionadas; à noite, uma roda maior, para sentir a energia do grupo. Na “SXSW”, em Austin, organizei um jantar com cinco outros participantes no sushi bar “Uchi” – mais íntimo do que a festa oficial com 500 pessoas, mas grande o suficiente para conversas interessantes.

Construir relações profissionais no estrangeiro: a sensibilidade cultural conta

Quando viajas internacionalmente, tem em conta as diferenças culturais. No Japão, entregam-se os cartões de visita com as duas mãos e faz-se uma ligeira vénia; nos EUA, um aperto de mão firme e contacto visual direto são a norma. Na Escandinávia, dá-se muito valor à pontualidade e a uma cortesia discreta. Antes de cada viagem, pesquiso rapidamente o que se deve e não se deve fazer em cada país. Isso mostra respeito e evita mal-entendidos embaraçosos. Uma pequena dica: as boas maneiras à mesa no primeiro jantar também podem deixar a impressão decisiva em contexto profissional.

Aproveitar as oportunidades de carreira das viagens de negócios: pensar a longo prazo

Viagens de negócios: aproveita as oportunidades de networking

O networking não é uma corrida de velocidade, mas uma maratona. Os contactos mais valiosos cultivo-os durante anos. Depois do meu primeiro encontro na “re:publica”, em Berlim, mantive contacto com um jornalista de tecnologia, troquei artigos com regularidade e encontrava-me com ele duas vezes por ano para um café. Três anos depois, recomendou-me para um lugar de orador numa conferência internacional em Copenhaga. Isso nunca teria acontecido se eu tivesse deixado o contacto morrer depois do primeiro encontro.

Constrói um sistema: eu uso um simples quadro do Trello para acompanhar contactos, tirar notas das conversas e definir lembretes. De três em três meses, vejo quem quero contactar, envio uma mensagem curta ou proponho um café virtual. Pode parecer mecânico, mas ajuda a manter vivas as relações genuínas.

Encontrar mentoria em viagem: fazer as perguntas certas

Alguns dos melhores mentores e mentoras conheci-os em viagens de negócios. A chave: não peço mentoria diretamente, mas mostro interesse pela experiência deles. Na “Slush”, em Helsínquia, falei com uma fundadora de sucesso sobre a sua experiência na angariação de capital. No fim da conversa, perguntei se, dentro de algumas semanas, podia fazer-lhe uma pergunta específica sobre o meu próprio projeto. Ela aceitou e daí nasceu uma relação informal de mentoria que dura até hoje.

Sê concreto sobre o que procuras. Em vez de “Pode ser o meu mentor?”, prefiro formular: “Estou a trabalhar num projeto na área X e gostaria muito de ter a sua opinião sobre Y. Teria 20 minutos nas próximas semanas para uma chamada?” Isto mostra respeito pelo tempo do outro e torna o pedido concreto.

Networking em conferências: da participação em painéis à after-party

As conferências são ouro para o networking, se as souberes aproveitar. Inscrevo-me de propósito em workshops mais pequenos do que as grandes keynotes – aí a interação é maior. Num workshop de UX em Barcelona, com apenas 15 participantes, criei contactos mais próximos do que no evento principal com 2000 pessoas. Trabalhámos em grupos, trocámos perfis de LinkedIn e fomos depois jantar juntos à “Cervecería Catalana”, no bairro do Eixample.

Depois do programa oficial é muitas vezes que começa o verdadeiro networking. Vou quase sempre à after-party ou organizo eu mesma um encontro informal. Um jantar com seis participantes da conferência no “Neni”, na Ku'damm de Berlim, rendeu-me mais contactos valiosos do que todo o dia de conferência anterior. O ambiente descontraído, a boa comida e as conversas sinceras criam ligações que duram.

Dicas de business travel: manter-te acessível e presente

Garante que também em viagem tens uma apresentação profissional. Chegar fresco e cuidado é um fator subestimado – a minha rotina de beleza em voos de longo curso ajuda-me a causar boa impressão numa reunião importante, mesmo depois de 10 horas de voo. O guarda-roupa certo também conta: levo sempre um conjunto formal extra, mesmo que a conferência seja casual. Nunca se sabe quando surge uma reunião de alto nível de improviso.

Usar plataformas e comunidades de forma direcionada

Além das conferências clássicas, existem plataformas de networking especializadas. Sou membro da “Founders Network”, uma rede comunitária para fundadores que organiza eventos regulares em várias cidades. Segundo um levantamento da Eventbrite de 2023, 74 por cento dos profissionais participam em pelo menos dois eventos de networking por ano, com tendência crescente. Isto mostra que o networking é cada vez mais levado a sério como impulsionador de carreira.

Também na área do dating de estilo de vida, por exemplo através de plataformas como a MySugardaddy, surgem por vezes contactos profissionais surpreendentes. Já vi que viagens e eventos em comum podem abrir novas portas, não só a nível pessoal como também profissional – desde que se mantenha a autenticidade e o respeito.

O que fazer e o que evitar no networking em viagens de negócios

Viagens de negócios: aproveita as oportunidades de networking

Algumas regras claras têm-se revelado eficazes para mim. Primeiro: ouve mais do que falas. Não há nada pior do que alguém que só fala de si próprio. Segundo: não recolhas cartões de visita ao acaso; constrói ligações genuínas. Prefiro três conversas de qualidade a 20 superficiais. Terceiro: evita pitches de vendas agressivos. O networking não é um evento de angariação de clientes. Se surgir uma oportunidade de negócio, ótimo – mas nunca deve ser o ponto de partida.

Quarto: sê prestável. Gosto de apresentar pessoas umas às outras quando acho que podem beneficiar mutuamente. Isso cria boa vontade e posiciona-te como um conector. Quinto: respeita os limites. Nem toda a gente está com disposição para networking numa viagem de negócios. Se alguém sinalizar que quer sossego, aceita isso.

Follow-up: o passo decisivo depois do encontro

O erro mais comum no networking: não fazer follow-up. Escrevo, nas 48 horas seguintes, uma mensagem personalizada em que agradeço a conversa e faço uma referência concreta ao tema da nossa troca. Por exemplo: “Olá, Ana, muito obrigada pela conversa inspiradora de ontem à noite sobre marketing sustentável. Aqui está o artigo que mencionei. Gostaria de manter o contacto!”

Se a conversa foi particularmente valiosa, proponho um próximo encontro concreto – seja virtual ou no próximo evento. Uso também o LinkedIn para reforçar a ligação, mas sempre com uma nota pessoal em vez do pedido padrão. As pessoas lembram-se dos detalhes, e são esses mesmos que deves retomar na tua mensagem.

FAQ: perguntas frequentes sobre networking em viagens de negócios

Como supero a timidez no networking em viagens de negócios?

Começa devagar: fala primeiro com uma só pessoa, não logo com um grupo inteiro. Faz uma pergunta simples como “Está a gostar da conferência até agora?” ou “É a primeira vez que cá vem?”. A maioria das pessoas é aberta e simpática. Prepara algumas frases para iniciar conversa e sentir-te-ás mais seguro. Com o tempo, torna-se rotina.

Quantos contactos devo procurar fazer numa viagem de negócios?

A qualidade vale mais do que a quantidade. Eu fixo como objetivo ter três a cinco conversas realmente boas, em vez de juntar 20 contactos superficiais. Concentra-te em pessoas com quem tenhas pontos em comum genuínos ou com quem possas aprender. Uma troca profunda vale mais do que uma troca rápida de cartões de visita.

Que papel têm as redes sociais no networking em viagens de negócios?

As redes sociais são uma ferramenta valiosa, mas não substituem os encontros presenciais. Uso o LinkedIn para preparar contactos e dar seguimento, às vezes publico em direto de eventos para criar visibilidade e ligo-me digitalmente depois dos encontros. Mas a ligação verdadeira nasce offline, na conversa direta.

Como lido com recusas ou desinteresse?

Nem todos terão tempo ou interesse, e isso é perfeitamente normal. Não leves a mal. Agradece com cortesia e segue em frente. Por vezes o momento é simplesmente mau, ou a pessoa não se encaixa nos teus objetivos. Foca-te nas que estão abertas e interessadas. Isso poupa energia e leva a melhores resultados.

Posso fazer contactos profissionais também em viagens informais?

Claro que sim. Numa escapadinha de fim de semana ao Porto conheci, num café de coworking, uma designer com quem mais tarde trabalhei. Sê aberto, mas respeita o contexto. Se, por exemplo, encontrares alguém numa prova de vinhos no estrangeiro, podes conversar de forma bem natural – sem parecer insistente. A autenticidade é a chave.

Conclusão: o networking em viagens de negócios como impulsionador de carreira

As viagens de negócios oferecem uma oportunidade única de construir a tua rede de carreira de forma estratégica e autêntica. Com a preparação certa, objetivos claros e interesse genuíno pelas pessoas, transformas cada viagem de negócios numa oportunidade de contactos profissionais valiosos. Seja em conferências, em lobbies de hotel ou em jantares informais – as melhores ligações surgem quando estás presente, aberto e prestável. A minha dica mais importante: sê tu próprio, ouve mais do que falas e cultiva os contactos a longo prazo. Assim, o networking deixa de ser uma obrigação maçadora e passa a ser uma parte emocionante da tua viagem. Por isso, na tua próxima viagem de negócios, leva não só documentos, mas também abertura e curiosidade – a próxima oportunidade de carreira pode estar à espera no portão de embarque.